Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Sábado, 23 de fevereiro de 2013
RELATIVO


 

 

gosto de flutuar

nem sempre solto no ar

mas acima de mim mesmo

como naquele momento

da criação

quando mesmo não querendo

estou tão dentro

que fora de mim

 

gosto de levitar

um pouco e nem tão muito

no prazer de fazer amor

eu voo no infinito

sem desgrudar de seu corpo

 

gosto de ir além

estando em meu lugar

posso de me sentir perdido

sabendo que você me sabe

a todo tempo crendo

na certeza do seu resgate

 

se temos um jogo franco

não blefamos, não tememos

embaralhamos nossos flancos

de perto ou de longe nos vemos

e tudo é tão claro e límpido

e tudo é tão público e íntimo

 

gosto de poder pensar

que o amor é uma forma

conjunta e ótima

de solidão



28.12.2012.

Quinta, 21 de fevereiro de 2013
SERIAL KILLER

 
O amor é uma tormenta. Me incomoda qualquer canção que sopra. Me incendeia qualquer razão que venta. O amor é um descalabro. Me desacerta toda noção de tempo, me acelera os ritmos dos medos. O amor é uma perdida bala. Quando se perde ninguém sabe onde mas quando fere às vezes também mata. O amor é um assalto, um sequestro, um homicida em série. Quando não rouba, espanta, quando não quer resgate se manda, quando não guarda talismãs simplesmente deixa marcas – não de hortelãs, não de avelãs – deixa cicatrizes indeléveis em sua saga.

19.02.2013.

Domingo,17 de fevereiro de 2013
O AMOR, ÀS VEZES



o amor às vezes é caso de eletrochoques, lobotomias. para que os que não sofrem se calem e os que sofrem de amor silenciem. para que o amor cesse sua generosa agressividade íntima, para que não denuncie que é um hospício negligente todo espaço onde cada amor potente habita. e onde sente e palpita, se não é rota ou limite, às vezes o amor é caso de camisa de força, de tortura, de delegacia.
o amor, às vezes, é tratado por anjos, médicos, gurus, pais de santo, mas se o amor for mais amplo, além do objeto do desejo, pra lá do normal ou do tacanho, ninguém vai - nem querer - saber que amor é esse, agora ou depois dos comerciais, ou amanhã, não haverá quem salve seus desejos, nem froide nem iangue e nem lacan.
às vezes o amor é um caso cômico, por seu intensivo sônico, por sua fixação namorada lunar. outras vezes o amor é simples e ele só quer dizer eu te amo, só quer te beijar a testa, só quer te olhar os olhos, só quer dormir junto mesmo sem se tocar.
às vezes o amor só quer sobreviver, só quer respirar.

17.02.2013.

Páginas
<< Início  < Anterior 1 2 3 Próxima >  Última >>