Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
domingo, 17 de junho de 2018
NÃO AMO POR MIM


não amo só por mim
o amor é uma armadilha
inevitável
que nunca vai ter final

 

usurpador de tinos
o amor não é matriz
se faz de filial
se torna pátria única
religiosidade múltipla
familiar mordaça
invento do afinal

 

não amo nem por sim
o amor é uma matilha
de hienas
de sirenas
de causas extraterrenas
de seres abissais

 

político cretino
o amor não é um triz
se diz no jornal
se traz e é coisa espúria
atrai e se faz sórdido
cartão postal

 

mas também tem seu mel
saliva e carícia
que vem quando empunha
em sua cunha
pincel e cizel

 

o amor tem seus anzóis
que não tem outro fim
a não ser ferir
e conquistar
e consumir

 

os peixes e sereias
o amor tem seus anéis
e algemas
torturas, mansidões
teoremas sem exatidão

 

o amor não quer o bem
quer o bom
o amor é um buquê de sins
exalando nãos

 

não amo por mim
vivo vil por senões


29.05.2018.

sexta, 15 de junho de 2018
MOMENTOS DE TEMPOS

 

é verdade que o tempo
viril, tão potente
também tem em si
o poder de parar


e quando ele estanca
te pego nas ancas
te beijo até não
mais restar salivar


e então quem comanda é o extremo
o vento sem tempo a nos alisar
o sempre e o nunca nessa nossa cama
presente e futuros num mesmo lugar


é verdade que o tempo
desprende da gente
nem sei, nem te vi
será, tive par


e quando ele avança
não tenho a lembrança
só mesmo desvão
tal estar sem ficar


e então quem desmanda é o momento
sentido perdido sem realizar
o nunca e o sempre, presente trama
passado e rumos buscando lugar

 

26.05.2017.

terça, 12 de junho de 2018
FORA

 

não foi a primeira vez

que recebi de amigos
ou de amores

cartas de adeuses


vezes muitas laudas

ou simples bilhetes

com o mesmo peso e drama

de elefantes ou alfinetes

com fundamentos plenos

ou meros mios afluentes


há mensagens que doem

outras que aliviam

e questões filosóficas
que tecem estribilhos

há textos que comovem

outros que hilariam

e sins e nãos caóticos

montanhas que não se movem


não é a prima foz

que em mim deságua sangue

de amadoras

réstias bandidas


vezes abstratas

ou reais vinténs

com a mesma pele e trama

de renegados ou de reféns

com a razão do básico

ou talvezes, poréns


não será a última vez

que xingo a palavra amém

 

maio.2018.

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